Artigo: Computação Positiva como um meio de aproximar pessoas

PRÊMIO ARTIGO DE SUCESU-RS 2016 – ARTIGO VENCEDOR
Por Gabriel Pimentel Affonso de Oliveira

15355690_1220606784671192_1684901557687778963_nFaz um dia ensolarado lá fora e a vista da varanda de minha casa me faz aproveitar esse clima tranquilo. As persianas e janelas foram todas abertas pelo sistema que controla a casa, a fim de deixar o sol e os aromas entrarem. A grama já foi aparada pelos robôs, que se certificaram que somente irá chover semana que vem. Ao olhar para dentro de casa, o espelho que serve de divisória para ambientes mostra as notícias sobre minha série predileta ao lado de fotos de amigos e familiares. Voltando a olhar para meu colo, um deslizar de dedos faz a página digital do livro que ali repousava tremeluzir levemente e atualizar o conteúdo adequadamente.

Há muito tempo, no passado, se entendia que máquinas iriam substituir os humanos, tirar-lhes o emprego e a utilidade. Pior, entendia-se que quem passava muito tempo ao redor dessas máquinas iria esquecer como é ser humano e como se relacionar com seus semelhantes. Hoje, entendemos que os sistemas computadorizados, tão amigáveis que nos esquecemos que eles estão ali, são somente uma ponte para nos conectarmos mais fácil e frequentemente uns aos outros.

Lembro que li estes dias sobre o professor Rafael Calvo, de Sydney, que, no distante 2014, disse que o desenvolvimento de sistemas de interação-humano-computador costumava, naquela época, a focar esforços em reduzir os aspectos negativos que confundiam as pessoas. Ele defendia, na ocasião, que era tempo de focar em aspectos mais positivos e criar sistemas que fossem prazerosos e que dessem gosto de usar, que encantam além de informar, que trazem prazer ao seu cliente juntamente com alguma funcionalidade. A pesquisa desse professor, pelo pouco que me lembro, mostrava como princípios de engajamento e empoderamento podiam ser usados para criar tecnologias que melhoram nossas vidas, criam mais envolvimento das pessoas e também contribuições positivas para nossas vidas. A este conceito ele dava o nome de Computação Positiva.

Um exemplo disso é aquele antigo aplicativo de fotos que meus pais chamavam de Instagram. Claro, ele deixava você botar fotos na Internet, mas ele também o deixava explorar vários filtros e modificações na imagem. Minha mãe passava vários minutos explorando aqueles filtros – “me sinto uma artista!”, dizia ela. A simples funcionalidade de postar uma foto não era suficiente para ela – quanto maior controle e possibilidades, mais ela se divertia!

Deve ter sido por essa época que nós, humanos, começamos a refletir como a tecnologia que nós mesmos havíamos criado deveria servir para melhorar nossa vida em um ou outro aspecto, e não somente resolver os problemas do cotidiano. Isso fez bastante diferença na vida de meu irmão, deficiente auditivo, que usa incessantemente aquele aplicativo no seu relógio que escuta as pessoas e transforma em texto no visor dos seus óculos. Em conjunto com o já tradicional aplicativo dos óculos que traduz expressões faciais, ajuda bastante ele a compreender o mundo à sua volta. Somente no ano passado ele começou a usar e já se acostumou com aquele texto todo percorrendo seu campo de visão somado às sugestões de humor que ele usava para melhor compreender as pessoas.

Nos últimos anos, eu deixei de me preocupar com a divisão entre vida “online” e “offline” e passei a aproveitar todas essas situações em que a tecnologia impacta positivamente na minha vida. E você, continuará reclamando dos problemas ainda não resolvidos pela tecnologia ou se concentrará nos benefícios que ela pode trazer à sua vida e à dos outros?