ARTIGO: CIOS refletem gestão sob a ótica do positivismo

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“A Diretoria da SUCESU-RS, pelo segundo ano consecutivo, incorporou na agenda do Seminário Executivo uma atividade que pressupõe um encontro dos CIOs participantes para realizarem uma dinâmica de grupo explorando o tema do evento. Este momento tem oportunizado muitas trocas de opinião e de situações semelhantes nas respectivas empresas, gerando resultados de consenso para responder às questões enumeradas pelo facilitador. O formato da dinâmica facilita esta interação por dividir o público-alvo em pequenos grupos, promovendo a contribuição de cada um no tema abordado, enriquecendo os resultados obtidos.”
Maria Luiza Falsarella Malvezzi, Diretora-Adjunta de Marketing e Eventos

Artigo por Beatriz Benezra, Coordenadora do Grupo de Usuários de Gestão de Conhecimento – GUGC da SUCESU-RS

Neste ano, participaram desta atividade mais de 90 CIOs de empresas gaúchas em diferentes áreas de atuação. Foram propostos para discussão cinco temas de altíssima relevância e que fazem parte da pauta dos participantes.  Para incentivar a troca de conhecimento e geração de insights, perguntas desafiadoras foram colocadas em discussão. As perguntas foram elaboradas considerando os temas em pauta dos CIOs, estes abordados baixo a visão do Positivismo.

A seguir os temas apresentados:

  • Eficiência operacional.
  • O futuro do trabalho.
  • A TI transformando os hábitos.
  • Relações profissionais no mundo digital.
  • Inovações disruptivas.

POSITIVISMO, conforme definido pelo seu fundador Martin Seligman , é a ciência que tem o objetivo de compreender o bem-estar e produzir condições necessárias para que ele ocorra. É entendido como um estado muito além de satisfação ou de boa disposição momentânea. Trata-se de construir emoções, engajamentos, relacionamentos, sentidos e realizações que norteiem a uma vida mais feliz. A continuação será apresentada cada um dos temas discutidos e os insights gerados pela troca de conhecimento entre os CIOs.

TEMA: eficiência operacional  

Eficiência operacional significa exercer atividades semelhantes melhor do que os competidores. Inclui todo o tipo de práticas que permitem a uma empresa utilizar da melhor forma os seus recursos, evitando o retrabalho a ociosidade e a sobreposição.  Utilizar a automação é uma forma de garantir um processo mais uniforme e eficiente e como consequência mais rápido e barato.

Quando os CIOs foram questionados sobre como a eficiência operacional pode ser implementada de forma que gere maior engajamento dos funcionários, responderam:

  • Implementando controles de qualidade que não exponham às pessoas, mas que permitam avaliar cada indivíduo, visando desenvolver suas potencialidades ao máximo e nivelando seu desempenho de acordo com o desempenho da sua equipe.
  • Disseminando a cultura colaborativa e como consequência da mesma gerando uma visão do todo, desenvolvendo a percepção de valor e contribuindo com o desenvolvimento das pessoas. Também facilitando a geração de novas ideias e insights, base para o processo de inovação.
  • Garantindo que a qualidade desenvolvida pelo colaborador esteja totalmente alinhada com as políticas organizacionais de qualidade.
  • Implementando um programa de participação nos resultados, metas individuais, setoriais e empresariais.
  • Definir mecanismos de incentivo e reconhecimento para os colaboradores.
  • Garantir que os resultados coletivos sejam atingidos e usa-os como forma de reconhecimento e incentivo. .

Perante a afirmativa “A automação assusta as equipes que passam a ter medo de serem substituídas” e o questionamento “Como automatizar tarefas e criar uma emoção positiva nas pessoas?”, os participantes responderam:

  • Todos concordaram em que a automação realmente assusta e cria uma forte resistência entre os colaboradores.
  • O processo pode ser iniciado mediante a automação de atividades repetidas, direcionado as pessoas para outras atividades com maior valor para o negócio a para elas mesmas. Esta visão do novo valor deve ser apresentada aos colaboradores como forma de vencer a resistência.
  • A automação leva à estabilidade organizacional que deve ser comunicada às equipes, desta forma ajudando no desenvolvimento de emoções positivas.
  • A criação de um programa formal e dinâmico de gestão de mudanças que se retroalimente com os resultados organizacionais, se faz imprescindível.
  • Envolver às pessoas no processo de transformação, instigando a que elas participam, sugiram e implementem mudanças.
  • Mostrar às pessoas que a automação busca maior eficiência e qualidade, reduzindo as perdas e aumentando os ganhos, atrelando a estes resultados um programa de incentivos.

Para usar os recursos da melhor forma possível, muitas vezes se busca a padronização dos processos e uma auditoria constante sobre os mesmos para que não haja perda de qualidade e eficiência. Isso também gera uma comparação interna entre as pessoas. Partindo da afirmativa explicitada na frase anterior os CIOs responderam à pergunta:  como podemos ter um relacionamento positivo e como as pessoas serão mais produtivas?

  • Divulgando em forma sistemática os indicadores gerados pela automação de processos.
  • Focando na eficiência em busca de melhorar a qualidade tanto pessoal quanto profissional, gerando relacionamentos de confiança mutua e colaboração.
  • Discutindo lições aprendidas sem reprender a falhas, assimilando o novo conhecimento gerado ao saber da organização.
  • Mostrando como a automação de processos gera estabilidade no ambiente de produção e consequentemente as pessoas obtém mais tempo para investir em outras atividades como o seu desenvolvimento profissional.
  • Gerando um programa de incentivos que tenha como base a geração de ideias que implementem melhorias na produtividade.
  • Propiciando o envolvimento, participação e colaboração de toda a equipe nos projetos.
  • Definido objetivos claros, precisos, próximos; divulgando os resultados e premiando e reconhecendo os avanços.
  • Desenvolvendo um programa de gestão da mudança.

Pesquisas recentes mostram que o sentimento desenvolvido por um colaborador expresso como: “estar realizado com o seu trabalho”, gera um impacto que acompanha diretamente sua capacidade de vencer desafios e seu potencial inovador. Uma empresa que está focada em eficiência operacional perde o foco em inovação. Como resolver essa equação? Para esta colocação os participantes responderam:

  • Mostrando que a melhoria na eficiência pode ser gerada por meio da inovação. A melhoria da eficiência é um constante desafio pessoal.
  • Gerando o engajamento das pessoas usando relacionamentos colaborativos que busquem a eficiência operacional e ao mesmo tempo sirvam como base para o desenvolvimento de programas de inovação.
  • Estimulando a pesquisa e o desenvolvimento mediante relacionamentos e práticas que fomentem o compartilhamento de conhecimento.
  • Desenvolvendo um programa de gestão de mudanças.

Tema: o futuro do trabalho

Recentes discussões sobre o impacto da Ciência da Computação, em particular da Inteligência Artificial levaram cientistas como Stephen Hawking e empreendedores com Bill Gates e Elon Musk a demonstrarem preocupações com o futuro da humanidade. Estas preocupações incluem a participação dos seres humanos no mercado de trabalho. O novo mercado de trabalho deve ser modificado, em um horizonte de curto e médio prazo,  pelo impacto das tecnologias de computação e a Inteligência Artificial

Planteado este tema os CIOs responderam às seguintes perguntas: como uma jornada reduzida ou alternativa de trabalho pode impactar positiva ou negativa os trabalhos dos profissionais de TI? Quais ações podem ser tomadas uma vez avaliados estes impactos?

  • Impactos negativos: afeta o processo de inovação já que dificulta a reunião das   equipes, promove mudança nas políticas de regras de RH, gera cuidados redobrados na legislação trabalhista.
  • Impactos positivos: melhora a qualidade de vida dos colaboradores mediante a flexibilidade no horário de trabalho, permite a execução de múltiplas tarefas, propicia uma maior qualificação, aumento positivo de ofertas de trabalho, qualifica as relações profissionais.
  • Ações: estabelecer remuneração proporcional por atividade com acordo prévio do range de valor e percentual de execução, separar atividades operacionais e atividades voltadas à inovação, implementar a meritocracia por resultados.

Os participantes também responderam e esta pergunta: quais são os cenários possíveis, a médio e longo prazo, gerados por um mercado de trabalho sem vinculação?

  • Devem ser implementados acordos sindicais com políticas protecionistas.
  • Gera uma mudança profunda no cenário econômico.
  • A instabilidade laboral mas ao mesmo tempo alta rotatividade dos trabalhadores. Será necessário implantar políticas de retenção de conhecimento e proteção de propriedade intelectual.
  • Surgem novas profissões ou profundas mudanças nas atuais.
  • Valorização da sociedade do conhecimento.
  • Aumento da competitividade profissional levando a uma melhor qualificação.

Resposta dos participantes à pergunta: como aproximar e estreitar relações profissionais em um mercado volátil, com trocas de pessoal ainda mais frequentes que as de hoje em dia?

  • Se torna imprescindível a aplicação da Gestão do conhecimento para retenção dos ativos de conhecimento.
  • Estabelecer mecanismos de reconhecimento baseados na meritocracia.
  • Flexibilizar as leis trabalhistas.
  • Estreitar a relação entre as empresas e a academia.
  • Desenvolvimento de ambientes colaborativos, fiscos e virtuais.
  • Valorizar as novas gerações que questionam e participam em forma mais ativa nos processos de construção e desenvolvimento.
  • Propiciar mecanismos de decisões mais participativas.
  • Associar os profissionais em grupos de interesse colaborativos.
  • Criar eventos de socialização para estreitar relacionamentos.
  • Possibilitar e reconhecer o trabalho de equipes multidisciplinares, propiciando a troca de conhecimento e a complementaridade das atividades.

Mais uma pergunta desafiadora respondida logo a continuação: como realizar-se profissionalmente em um cenário sem as seguranças minimamente ofertadas pelas organizações e estrutura social existentes hoje em dia?

  • Investindo em uma maior qualificação profissional.
  • Com a flexibilização da lei trabalhista.
  • Identificando e capacitando lideres natos com valores pessoais diferenciados.
  • Buscando o autoconhecimento que permite o desenvolvimento da liderança, inteligência emocional e relações positivas.
  • Implementando um mecanismo de feedback constante com os colaboradores.
  • Trabalhar o cenário da crise de uma forma mais positiva.
  • Incentivar a geração de relacionamentos interpessoais e seu aprimoramento.

Tema: a TI transformando os hábitos

As inovações tecnológicas têm transformado a sociedade e feito com que as empresas de tecnologia se adaptem rapidamente. Essa é uma mudança de extensão global que cria oportunidades e desafios, decorrentes da forma de como as diversas sociedades realizam as suas atividades cotidianas.

Planteado o tema descrito no texto acima, os participantes responderam à seguinte pergunta: como você vê as demandas atuais da sociedade voltada para o uso da tecnologia e a necessidade de agilidade e redução de custo nos serviços oferecidos?

  • As empresas se obrigam a reinventar seus negócios pela pressão gerada pela sociedade e pelo uso de tecnologias mais baratas.
  • Os consumidores exigem disponibilidade no uso de serviços a qualquer hora e em qualquer lugar.
  • A sociedade demanda cada vez mais banda e processamento exigindo uma infraestrutura escalonável.
  • A massificação da tecnologia para as pessoas físicas está gerando uma pressão para as empresas disponibilizarem no ambiente corporativo essas mesmas tecnologias.

Continuando com mais uma pergunta: qual   é a sua visão do futuro no que tange aos avanços tecnológicos, além de ações e projetos que estão chegando para causar novas transformações nos hábitos da população em geral?

  • Extinção e criação de novos negócios em forma muito rápida.
  • Aumenta do foco em temas como biometria e robótica.
  • Busca de maior segurança, transparência a confiança nos relacionamentos tanto interpessoais como trabalhistas.
  • Desenvolvimento de uma nova cultura que foque em compartilhar recursos.
  • Valorização da capacidade de pensar e criar dos indivíduos e seu reflexo no contexto organizacional.
  • Criação cada vez mais acelerada de novos produtos.
  • Incorporação de novas tecnologias em forma natural, com rápida absorção e um ciclo de vida mais curto.

Você vê que os avanços tecnológicos e as mudanças de hábitos da sociedade têm gerado a necessidade de uma maior oferta de infraestrutura tecnológica nas cidades? A resposta dos participantes para esta pergunta:

  • Há necessidade de grandes investimentos em conectividade. Atualmente os custos são muito altos e se torna necessário atuar mais em investimento de massa.
  • Não apenas investir em infraestrutura para os grandes eventos (copa, olímpiadas , etc.). Os investimentos devem ser constantes.
  • Compartilhamento do monitoramento da cidade visando segurança e deslocamento.
  • As leis devem estimular os investimentos.

Tema: relações profissionais no mundo digital

Globalização e tecnologia tem gerado frenéticas transformações no mercado. As relações profissionais carecem de uma reflexão que resgate a importância do contato humano na busca de valorizar as emoções, engajamentos, relacionamentos, sentidos e realizações para um melhor bem-estar.

Em relação a este tema os CIOs responderam à seguinte pergunta: durante o desenvolvimento de um projeto como garantir que as relações interpessoais sejam intensas e colaborativas?

  • Apresentando em forma clara quais são os resultados esperados pela organização e avaliando e entendendo as expectativas dos integrantes do projeto.
  • Trabalhar baixo um sistema de liderança alternada e compartilhada.
  • Aplicar metodologias que desenvolvam o trabalho colaborativo e incentivem a co-criação e o sentimento de propriedade sobre os resultados (ownership).
  • Alinhar os objetivos da equipe aos objetivos do projeto.
  • Usufruir de tecnologias digitais para melhor a comunicação e colaboração entre os integrantes da equipe.
  • Implementar mecanismos de incentivos e reconhecimento para a equipe.

Ainda avaliando as relações interpessoais a pergunta realizada foi: no teu dia a dia o quanto você dialoga e quanto você conversa digitalmente?

  • O nível de comunicação digital depende do segmento da empresa.
  • Tudo o que deve ser formalizado necessariamente deve usar o meio digital.
  • Não existe um padrão, mas certamente as equipes externas e distribuídas se comunicam mais em forma digital do que as equipes internas. O contato humano deve ser valorizado.
  • Em equipes mais jovens o contato digital é muito mais usado que em equipes mais maduras.
  • Na medida que o avanço tecnológico facilita a conectividade o dialogo digital tem aumentado notoriamente.

Ainda no mesmo tema a pergunta que os participantes responderam foi: qual é sua postura nas redes sociais com colegas do âmbito profissional?

  • Não existem problemas na aceitação do uso das redes sociais. Convites de contatos são aceitos e também realizados.
  • Deve-se ter muito cuidado com o que é colocado nas redes, tudo gera repercussão e pode comprometer a imagem pessoal.
  • Quanto mais pessoas do trabalho fazem parte das nossas redes, mais cuidado devemos ter a emitir nossas opiniões, temos menos liberdade.
  • Neste caso, o ambiente a as regras do trabalho se confundem com a vida privada.
  • É evidente que o comportamento das pessoas muda conforme a liderança faz ou não parte da sua rede.
  • Trata-se de uma cultura em formação. Portanto, es regras apenas surgem de um consenso comum.
  • A transparência pode ser uma solução para não gerar nenhum tipo de conflito ou uma falsa imagem.
  • Nossa vida está na internet. É inevitável compartilhara-a com nossos colegas!

Tema: inovações disruptivas

O termo “disrupção” foi cunhado pelo professor de Harvard Clayton Christensen. Ele é usado para descrever inovações que oferecem produtos acessíveis e criam um novo mercado de consumidores, desestabilizando as empresas que eram líderes no setor. Segundo o professor Kip Garland, da Fundação Dom Cabral, as tecnologias disruptivas, quando surgem, têm qualidade inferior aos produtos que dominam o mercado, mas eventualmente elas acabam ganhando terreno.

Em relação a inovação disruptiva a pergunta respondida pelos CIOs foi: se acreditarmos que há uma série de usos disruptivos que vão entrar na vida das pessoas, qual o caminho para ter relacionamentos positivos entre os envolvidos?

  • Criar ambientes ágeis e modernizados que absorvam rapidamente as mudanças, tanto no contexto organizacional quanto social.
  • A regulamentação deve estar acompanhando estas mudanças em forma muito mais ágil e proativa.
  • Promover a mudança de cultura com qualificação e informação, gerando um engajamento maior.

Ainda no mesmo tema, os participantes responderam à seguinte colocação: o desafio é que muitos executivos do mundo analógico ainda não perceberam o quanto a disrupção mudará o mundo dos negócios. Como engajá-los?

  • Mostrar as novas possibilidades que a inovação tem associadas como: redução de custos, ganhos financeiros, uma nova visão do mercado; entre outras.
  • Mostrar o ganho de capilaridade na abertura de novos mercados.
  • Inovar é sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo que demanda de novas fórmulas para atender ao consumidor.
  • A inovação me permite ao mesmo tempo permite fazer mais com menos.
  • As Startups possibilitam um rápido engajamento das grandes corporações no mundo da inovação.

Mais uma pergunta sobre o tema proposto foi respondida pelos participantes:  O que eu preciso fazer para transformar meu modelo de negócios atual (disrupção) e a cultura de minha empresa para que haja uma realização e  sentimento de bem-estar de todos os envolvidos?

  • Implementar novos modelos de trabalho como por exemplo o Home Office e focar na mobilidade para os sistemas internos.
  • Trabalhar com políticas de remuneração variável.
  • Propiciar um ambiente integrado e colaborativo entre todos os níveis hierárquicos.
  • Trabalhar na integração com outras entidades externas (incubadoras e universidades) que ajudaram a promover os desenvolvimento interno e valorização das pessoas a través do mesmo.