Gartner destaca evolução digital dos negócios e importância dos CIOs no processo

O VP Executive Partner do Gartner, Alexandre Blauth, debateu o impacto da cultura na transformação digital junto aos CIOs do II Seminário Executivo SUCESU-RS, em Bento Gonçalves. Blauth iniciou sua exposição destacando que 67% dos business leaders têm consciência da urgência nos processos de digitalização.

“Temos percebido essa transformação no dia a dia, e os próximos passos identificados pelo Gartner é que vamos em direção ao digital business, com apps autônomos e de self-enforcing”, destacou ao complementar a ideia de que estamos passando por um momento decisivo para os negócios, tal qual foi a ascensão da web e a chegada do e-commerce, por exemplo.

“Dentro de nossas empresas costumamos reparar em nossos concorrentes diretos, mas acabamos não vendo ondas que surgem fora, vindas de outras indústrias, assumirem a nossa posição. E estamos vendo isso acontecer cada vez mais, todos os dias”, expôs ao conversar com os CIOs presentes sobre a importância de estarem atentos a novas tecnologias e quais os impactos que elas podem trazer para as organizações.

Para exemplificar essa atenção, Blauth comentou o que ocorreu no começo dos anos 2000 com relação a bolha da internet e ao comércio de roupas. “Sabíamos que a internet tinha vindo para ficar, mas também tínhamos a certeza de que ninguém compraria roupa online, pois as pessoas querem experimentar. Mas estávamos errados, pois desde 2005 até agora foram movimentados US$ 27 bilhões em roupas online, enquanto lojas de departamento perderam US$ 29 bilhões”, explicou.

O case da Amazon foi amplamente debatido na palestra. Blauth apresentou números que tornam a marca o maior retail de roupas dos Estados Unidos, país onde 23% do mercado comprador de vestimentas está na internet. “Perder o trem da história não é algo que afetou só pequenas empresas, a JCrew, gigante do varejo americano, Walmart e Ford são exemplos de marcas que não se moveram rapidamente e acabaram sendo engolidas”.

“Em 2020 a inteligência artificial será uma geradora positiva de trabalhos, automatizando 2.3 milhões de atividades, mas eliminando 1.8 milhões de empregos. O desafio de vocês é enorme, já que 77% dos executivos falam ser dependentes de tecnologias dentro das empresas. E quem são os caras tecnológicos dentro das organizações?”, provocou Alexandre, ao salientar o papel determinante dos CIOs neste processo de digitalização das companhias.