O cérebro e as relações pessoais como centro da Transformação Digital

 “A transformação digital não é a tecnologia, é proporcionarmos conexões, propósitos, engajamento de pessoas e, por meio desse engajamento começamos a entender novas possibilidades de gerar negócios. Negócios onde a tecnologia é simplesmente uma alavanca importante para a realização e a conexão com as pessoas”, destacou o estudioso da neurociência aplicada ao desenvolvimento de negócios, Marcelo Prauchner Duarte, para os executivos do II Seminário Executivo SUCESU-RS. A conversa abordou diversos momentos de reflexão, tendo como pano de fundo o processo de transformação das empresas a partir das pessoas que fazem parte daquele contexto.

A partir dessa ideia, Marcelo fez uma série de reflexões dos impactos que algumas tecnologias atuais podem causar e precisam ser pensados. Como, por exemplo, os carros autônomos, que podem afetar diversas cadeias produtivas, como interferir nas indústrias das multas, nos mercados de seguros automotivos e, até mesmo, na própria indústria automotiva. “E se começarmos a usar mais o carro como serviço do que como posse? O quanto de fato a transformação digital é business e não tecnologia?”, indagou aos participantes.

Marcelo também aproveitou para provocar os participantes a tentarem entender porque é tão difícil realizar a transformação digital dentro das empresas. Para entender isso é preciso entender o cérebro das pessoas e, mais do que isso, entender as próprias pessoas. “Precisamos respeitar as pessoas e a forma como elas funcionam”, destacou ao explicar o funcionamento do cérebro e como determinados comportamentos podem colaborar para que os indivíduos tornem-se mais efetivos na rotina profissional das empresas.

“Qual o nosso hábito? Nós falamos aquilo que nós não queremos, nós propagamos os “memes” negativos. No Brasil não falamos de coisas boas, nossa contaminação “memética” é frequente. Falamos coisas ruins e esquecemos de valorizar aquilo que é bom, os grandes alcances que acontecem  aqui por exemplo”, explicou ao salientar a importância de ter um comportamento que preze pela evolução conjunta.

“Se você quer mudar alguém, faça a pessoa refletir. Ou seja, não diga o que ela tem que fazer, comece a questioná-la daquilo que faz sentido. Comece a fazer com que as pessoas de sua empresa tenham as próprias respostas”, disse ao explicar que você não pode mudar o DNA de uma pessoa, mas pode mudar a “programação” dele. O que pode ter resultados positivos ou negativos, dependendo da forma como essa mudança é feita.

Para exemplificar, Prauchner trouxe um estudo realizado que visava demonstrar os impactos causados por determinadas atitudes no organismo. Em um teste prático, dois grupos de pessoas receberam a mesma tarefa, sendo que um recebeu as instruções de maneira simpática e com incentivos e, o outro, de forma bruta e negativa. Os resultados mostraram que o grupo que recebeu a instruções brutas apresentou 55% mais de stress e 200% mais de raiva que o grupo oposto. Além de ter levado mais tempo para realizar a atividade, com menos efetividade.

“Além de não alcançar os objetivos, geramos prejuízos à vida das pessoas. Para nos comunicarmos bem precisamos de flexibilidade, de nos colocarmos no lugar do outro”, exaltou. “Se queremos mudar a cultura precisamos engajar, e se engajarmos pessoas elas acabam vindo conosco! Se quisermos fazer uma mudança digital de forma hierárquica, dizendo para as pessoas o que elas devem fazer, passamos a ter um modelo do qual não acredito no resultado”, concluiu Prauchner.