"Segurança Digital: do código à vida real": palestra traz diretrizes para a mediação familiar e proteção da infância na era digital
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Em um cenário corporativo cada vez mais imerso em inteligência artificial e dados, a cibersegurança precisa ultrapassar os muros das empresas e alcançar o ambiente doméstico. Foi com essa perspectiva que as psicólogas Giana Frizzo (mestre, doutora e professora da UFRGS) e Indiara Schaparini (especialista em teoria psicanalítica e clínica psicoterápica) conduziram a palestra "Segurança Digital: do código à vida real" no Technow Serra Líderes 2026, apresentando um diagnóstico sensível e dados sobre o comportamento digital de crianças e adolescentes.
As palestrantes trouxeram um paradoxo frequente nas famílias: quando o assunto é o uso seguro da internet, pais e responsáveis costumam buscar orientação com as próprias crianças por falta de letramento digital. A urgência da mediação familiar é respaldada pelos números:
92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos têm acesso à internet.
28% das crianças com menos de 6 anos já acessavam a internet no cenário recente de 2025.
A palestra reforçou que o ecossistema de desenvolvimento digital depende da integração contínua entre quatro pilares: a criança, o cuidador, o ecossistema digital e os sistemas estruturais (escola e legislação).
As especialistas lembraram ainda que, embora o celular funcione como uma fonte de distração rápida, ele não é o brinquedo preferido da infância. Crianças buscam a presença real e a interação de pessoas disponíveis.
No ambiente escolar, o desafio é preparar o corpo docente. As escolas precisam de capacitação adequada para que professores tenham discernimento técnico e pedagógico na condução da educação midiática. Além disso, foi ressaltada a relevância da correta implementação do ECA Digital, incentivando a sociedade a denunciar abusos e violações no meio virtual.
Além do tempo de tela: o foco no contexto e no "Design Seguro"
Um dos pontos centrais da palestra foi a desconstrução do tempo de tela como única métrica de controle. Em um contexto multitelas e dinâmico, o tempo isolado é impreciso, por isso a medida central deve ser o contexto e a qualidade do conteúdo.
As palestrantes defenderam a transição da culpabilização exclusiva das famílias para uma visão de responsabilidade compartilhada:
Atividades enriquecedoras primeiro: O desenvolvimento saudável exige priorizar experiências do mundo físico antes de introduzir vivências digitais.
Design Seguro nas plataformas: É urgente que o ecossistema de tecnologia adote uma arquitetura responsável que bana rolagens infinitas, autoplays, caixas de recompensa e acesso a jogos de azar para o público infantojuvenil.
Como escolher conteúdos de alta qualidade e o momento do primeiro smartphone
Para auxiliar famílias e educadores, a palestra apresentou o "quebra-cabeça do bem-estar infantil", fundamentado em conteúdos que estimulem o pensamento crítico, temas pró-sociais, senso de autonomia, ritmos relaxantes e ambiente livre de violência, apelos comerciais ou cyberbullying.
Quando questionadas sobre a idade ideal para a entrega do primeiro smartphone, as palestrantes foram categóricas: mais importante do que a idade cronológica é a construção de um vínculo de confiança. A criança precisa ter a certeza de que conta com um adulto de referência caso se depare com conteúdos inadequados ou situações desconfortáveis.
Para momentos de uso compartilhado de telas, a recomendação foi simples e afetiva: a clássica sessão de cinema em família.
Baralho de Segurança Digital: uma ferramenta prática de educação midiática
Encerrando a apresentação de forma interativa, as profissionais apresentaram o Baralho de Segurança Digital, realizando uma dinâmica com os participantes do evento.
Desenvolvida com base em conhecimentos científicos sobre o uso de telas na infância e adolescência, a ferramenta foi projetada para apoiar pais e professores na prevenção de riscos, estimulando o diálogo aberto, o uso consciente da rede e a construção ativa do conhecimento em casa ou na sala de aula.










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