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Segurança digital na infância: SUCESU-RS promove palestra e destaca urgência de debater o tema

há 6 dias
3 min de leitura

Assunto foi destaque no Technow Serra Líderes, que aconteceu no início do mês com CIOs de todo o RS


(Créditos: Marcos Nagelstein/Agência Preview)
(Créditos: Marcos Nagelstein/Agência Preview)

Em um cenário onde cerca de 84,4% das crianças entre 10 e 13 têm acesso à internet no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o tema da segurança digital começa a ultrapassar os muros das empresas e alcançar o ambiente doméstico. Foi com essa perspectiva que o assunto ganhou a atenção da SUCESU-RS durante o seu último Technow Serra Líderes, em setembro, com as psicólogas Giana Frizzo (mestre, doutora e professora da UFRGS) e Indiara Schaparini (especialista em teoria psicanalítica e clínica psicoterápica), durante a palestra "Segurança Digital: do código à vida real".

O conteúdo foi acompanhado tanto pelos CIOs das principais empresas de tecnologia do estado quanto por seus familiares, que lotaram o espaço para acompanhar a palestra. “Existem diversos riscos aos quais crianças e adolescentes podem estar expostos no ambiente digital, por isso é importante que as famílias estejam informadas e tenham abertura para conversar sobre essas situações”, explica Gianna ao comentar sobre a importância de toda a sociedade começar a refletir sobre o assunto.

Segundo as especialistas, há um paradoxo frequente nas famílias: quando o assunto é o uso seguro da internet, pais e responsáveis costumam buscar orientação com as próprias crianças por falta de letramento digital. Elas reforçam ainda que o ecossistema de desenvolvimento digital depende da integração contínua entre quatro pilares: a criança, o cuidador, o ecossistema digital e os sistemas estruturais (escola e legislação).

O tema do celular também deve ser colocado em pauta: embora o aparelho funcione como uma fonte de distração rápida, ele não é o brinquedo preferido da infância, já que as crianças buscam a presença real e a interação de pessoas disponíveis.

No ambiente escolar, o desafio é preparar o corpo docente. Giana e Indicaram alertam que as escolas precisam de capacitação adequada para que professores tenham discernimento técnico e pedagógico na condução da educação midiática, além da necessidade da correta implementação do ECA Digital, incentivando a sociedade a denunciar abusos e violações no meio virtual.

Além do tempo de tela: o foco no contexto e no "Design Seguro"

Giana e Indiara defendem a desconstrução do tempo de tela como única métrica de controle. Em um contexto multitelas e dinâmico, o tempo isolado é impreciso, por isso a medida central deve ser o contexto e a qualidade do conteúdo.

“É fundamental acompanhar os conteúdos consumidos, estabelecer uma relação de confiança e criar um espaço em que a criança se sinta confortável para contar quando algo a incomodar ou causar desconforto, seja uma imagem, uma mensagem ou alguma situação vivenciada em um dispositivo”, explica Giana.

As palestrantes destacam a transição da culpabilização exclusiva das famílias para uma visão de responsabilidade compartilhada. Um ponto que se conecta com a tecnologia é a urgência do design seguro nas plataformas, com uma arquitetura responsável capaz de banir rolagens infinitas, autoplays, caixas de recompensa e acesso a jogos de azar para o público infantojuvenil.

Baralho de Segurança Digital

O trabalho da pesquisadoras têm ganhado destaque com a criação do Baralho de Segurança Digital, um material didático que aborda diferentes riscos que podem ser vivenciados na internet e transforma essas situações em uma oportunidade de conversa. A proposta é utilizar as cartas para apresentar situações aos jovens e, a partir delas, estimular a reflexão e o diálogo sobre segurança digital.

Desenvolvida com base em conhecimentos científicos sobre o uso de telas na infância e adolescência, a ferramenta também foi projetada para apoiar pais e professores na prevenção de riscos, estimulando o diálogo aberto, o uso consciente da rede e a construção ativa do conhecimento em casa ou na sala de aula.

Durante o Technow, os CIOs experimentaram na prática como funciona o baralho. A lição é de que todos têm responsabilidade para com o futuro das crianças.

“O tema da segurança digital infantil tem sido muito abordado na sociedade, mas nós queríamos ir além do debate e promover uma experiência na prática para os CIOs entenderem o seu papel. Dar luz a esse tipo de assunto é uma das missões da SUCESU-RS, pois assim estimulamos a construção de soluções que realmente têm impacto e responsabilidade social”, explica Pedro Martini, presidente da SUCESU-RS.

A possibilidade de apresentar o baralho diretamente para quem trabalha com inovações tecnológicas também ajuda as especialistas a entenderem como o projeto pode evoluir ainda mais.

“Esses momentos são uma oportunidade de entender como o material é recebido e de ouvir diferentes experiências. Os comentários e sugestões nos ajudam a melhorar o baralho e a forma como ele é visto, de pensar em novas formas de levar esse conhecimento para mais pessoas”, destaca Indiara.

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