Technow mapeia a realidade da TI corporativa: da infraestrutura básica à inteligência agêntica

Compreender as demandas operacionais imediatas e, ao mesmo tempo, antecipar as tendências estruturais do mercado são os desafios centrais para as lideranças de Tecnologia da Informação. Para responder a essas necessidades, a programação de palestras do Technow reuniu grandes marcas e especialistas para mapear o cenário completo da TI nacional, apresentando desde as vulnerabilidades de infraestrutura física até as fronteiras mais avançadas da governança corporativa.
A abertura das discussões ficou com o tema "A Era As a Service", apresentado pela ARKLOK | WINDOWS 11 | INTEL. Renan Torres (ARKLOK) e Paulo Seixas (MICROSOFT) apresentaram dados que chamaram a atenção do auditório: a média de idade dos dispositivos corporativos no Brasil é de 6,6 anos, e 53% das máquinas atuais encontram-se inelegíveis para receber novas tecnologias. O alerta evidenciou que a migração para o modelo PCaaS (PC as a Service) é urgente para conter gargalos de produtividade, comunicação e segurança.
Complementando a visão de infraestrutura, a UNIFIQUE compartilhou sua expansão nacional e, em parceria com a CROWDSTRIKE, destacou a evolução das ameaças digitais. O debate apontou que o foco da defesa migrou do combate a malwares genéricos para o enfrentamento de adversários organizados (e-crime e estados-nações), posicionando a resiliência cibernética como a espinha dorsal para a implementação segura do 5G e da Inteligência Artificial. A base conectiva para suportar essa volumetria foi apresentada pela NAP IT, que detalhou a evolução exponencial do Wi-Fi via tecnologia Cisco Cloud.
A governança e a cultura interna foram apontadas como os principais filtros para o sucesso dos investimentos. Silvia Somenzi, CEO da SOLUZZIONE, trouxe estatísticas contundentes: enquanto 48% dos projetos de TI em geral obtêm sucesso, a taxa de êxito despenca para apenas 5% quando o assunto são projetos de Inteligência Artificial. Segundo a especialista, o desperdício é causado por falta de estratégia, dados de baixa qualidade e pela ilusão de que a tecnologia atua de forma autônoma, reforçando que o sucesso depende de integração e governança humana.
Esse cenário é agravado pelo "Shadow AI" — o uso de ferramentas de IA não autorizadas —, risco que já preocupa 8 em cada 10 líderes no Brasil devido à vulnerabilidade a ataques como o phishing (golpe virtual número um no país), conforme os dados trazidos por Victor Castro (CHECKPOINT) no bloco realizado em conjunto com o GRUPO NTSEC e a INGRAM MICRO.
A importância do propósito na implementação tecnológica foi o cerne da mensagem trazida pela DELL TECHNOLOGIES, defendendo que a máquina deve atuar como ferramenta de escala, mantendo o ser humano no centro das decisões contextuais. A aplicação prática desse conceito foi demonstrada pela ALGAR, com o programa Almpulso apresentado por Enock Cabral, provando que a inteligência artificial só gera resultados reais quando acompanhada de uma profunda mudança cultural corporativa. Já a IPROCESS apresentou seus catálogos de agentes de IA organizados por áreas de negócios para facilitar a implantação imediata nas empresas.
Finalizando o primeiro dia, as discussões sobre o mercado de capitais e investimentos para 2026 contaram com dados exclusivos da 4NETWORK, que apontam o setor público como o grande protagonista dos aportes em TI para o próximo ano. Como fechamento histórico, o consultor internacional Giuseppe Janino relembrou os 30 anos de evolução da urna eletrônica brasileira, demonstrando como o fim das cédulas de papel e das urnas de lona erradicou fraudes estruturais por meio de pilares inalteráveis de segurança e transparência.
Technow PRÓ: escala, maturidade e inteligência agêntica na prática
O segundo dia do Technow focou na maturidade dos processos, na proteção de marcas e na autonomia controlada dos usuários de negócios. O bloco inicial trouxe alertas sobre vazamentos de dados em larga escala. A executiva de TI Patricia Giordani lembrou que "o inimigo já está usando a IA", citando os incidentes recentes envolvendo as soluções da DEEPSEEK, META IA APP, MCHIRE & PARADOX.AI (McHire e Paradox.ai) e MOLTBOOK para provar que os agentes inteligentes também expandem o perímetro de ataque das corporações.
Contrapondo os riscos com eficiência de escala, a GLOBO detalhou sua arquitetura desenvolvida para atender 188 milhões de brasileiros e gerenciar 135 milhões de Globo IDs. Representada por Cassia Garcia Ferreira e Mateus Hoff, a emissora mostrou que o sucesso reside na estruturação de uma plataforma robusta anterior à IA, mantendo jornadas 100% conversacionais amparadas por cinco pilares: prompts, observabilidade, qualidade, segurança e guardrails.
A necessidade de focar em valor real e mensurável foi reforçada por Kelly Sganderla, iPROCESS, que apresentou dados indicando que 95% das iniciativas corporativas de IA falham em entregar retornos claros por terem sido criadas por mera "pressão de mercado", propondo a metodologia dos sete passos para a adoção corporativa. A evolução dessa jornada foi sintetizada por Eduardo Hahn, CEO da DATALAKERS, ao apresentar a IA Agêntica, que marca o início da era da "execução", onde sistemas projetados com raciocínio, memória e ferramentas executam tarefas complexas de ponta a ponta.
O impacto financeiro e institucional da governança de dados também foi destaque. Na palestra de Fabiane Madeira, CEO da ÉFE REPUTAÇÃO, foram apresentados dados sensíveis sobre a confiança do consumidor: 43% das empresas perderam clientes após ataques cibernéticos e 56% dos consumidores não compram de marcas sem boa reputação. O alinhamento operacional para evitar tais crises foi debatido por Julia Bessil, (Brasil Sales Leader da Dell Technologies), na mensagem da DELL TECHNOLOGIES, através do Estudo DPA, revelando que a maturidade digital do brasileiro está em nota 5.1/10 e que apenas 28% das organizações conseguem extrair o real valor da IA por operarem com processos desconectados.
A superação desses gargalos foi demonstrada na prática através de dois grandes cases gaúchos de segmentos distintos. Rafael Kuhn, Diretor de TI da LOJAS RENNER, apresentou a linha do tempo da companhia (2020-2026) na criação de sua diretoria de dados, comitê executivo e escola de IA, resultando no marco de que dois terços de suas iniciativas tecnológicas já geram retorno financeiro real ao negócio. Já no esporte de alto rendimento, Tiago Hendges detalhou a engenharia do GRÊMIO FBPA, demonstrando que a TI atua desde o combate a sites falsos que fraudam a loja do clube até a criação de sistemas proprietários que cruzam dados de GPS e estatísticas externas para analisar métricas precisas de performance dos atletas.
O encerramento dos conteúdos trouxe orientações sobre resiliência e democratização da inovação. Micael dos Santos, CEO da OLYMPUS IT, abordou a gestão de crises severas de produção (como corrupção simultânea de bancos de dados e backups), lembrando que colapsos técnicos transbordam para o lado emocional das equipes e exigem liderança humanizada.
Por fim, Guilherme Scherer (da iPROCESS) apontou para a próxima fronteira do desenvolvimento corporativo: os Citizen Developers. Scherer demonstrou como viabilizar ferramentas de IA generativa e agêntica diretamente para os usuários das áreas de negócios para reduzir os gargalos técnicos da TI. Ele concluiu alertando que essa descentralização exige plataformas sólidas, identificação de processos e capacitação contínua, garantindo que a autonomia ande de mãos dadas com uma governança inegociável nas organizações.
O Technow by SUCESU-RS teve como patrocinadores diamantes as empresas Algar, Arlok | Windows 11 | Intel, Grupo NTSEC | Check Point | Ingram Micro, Soluzzione e Unifique, além da Nap it como patrocinadora Platinum. A iProcess, NVIDIA | Dell Technologies | Intel, Ganzer | Zebra, Genetec | Vivotek, Makeone | Consagra, PGS IT | Zebra, Simpress e Techub | doc como Gold. O patrocínio especial foi da Adentro, Connection, DataLakers, Deliver IT, NVIDIA | Dell Technologies | Intel e 2cloud. O evento ainda teve como parceiros o Assespro-RS, Baguete, iColab, SecOps Summit, Softsul, Tecnopuc e tirs by SEPRORGS.










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